Teatro Por Que Não?

quarta-feira, junho 20, 2018

O que tem rolado no EM CARTAZ?

Oi pessoal!!!! 

Como vocês sabem estamos com  projeto EM CARTAZ 2018 rolando a pelo vapor.

Nos últimos dias, passaram dois espetáculos no Espaço Cultural Victorio Faccin: Say Hello para o Futuro e Amanhã Foi Outro Dia. 

Olha só como foi:

Say Hello para o Futuro - 01 e 02 de junho (Fotos: Walesca Timmen)







Amanhã foi Outro Dia - 15 e 16 de junho (Fotos: Anderson Martins) 







Agradecemos imensamente a presença do público que não se intimidou com o frio e veio nos prestigiar!

Se você assistiu, conte pra gente o que achou, comenta aqui embaixo! Ficaremos muito felizes com o feedback

Não conseguiu vir? Tudo bem, o EM CARTAZ 2018 ainda tá acontecendo, veja a nossa programação aqui. 

Já nessa semana teremos mais um espetáculo, anota aí e venha conferir: 

LADRA TERRA: UMA COMÉDIA MEDIEVAL
22 e 24 de junho de 2018 - 20h30
Espaço Cultural Victorio Faccin 
Rua Duque de Caxias, 380 
Ingressos: R$ 20 (público geral) - R$ 15 (antecipado) - R$ 10 
(estudantes, idosos e professores da rede pública)


Esperamos que possa vir e até a próxima!



quinta-feira, junho 14, 2018

Processos e mais processos: Amanhã Foi Outro Dia

Estreado em 07 de setembro 2013, Amanhã Foi Outro Dia foi o resultado de uma comemoração de parcerias: foi a primeira vez que o trabalho conjunto entre Teatro Por Que Não? e Teatro Universitário Indenpendente (TUI) saiu da administração do Espaço Cultural Victorio Faccin e entrou para os palcos.

Foto: Eduardo Ramos

A ideia de montar esse espetáculo veio da curiosidade em ver como esses dois grupos trabalham artisticamente juntos. Já tínhamos experiências muito positivas com parcerias: antes do TUI, trabalhamos com o grupo Cia. Retalhos de Teatro (com os espetáculos No Fio da Navalha e O Santo Parto) e com o Teatro Camaleão (com o espetáculo Acordo Íntimo), então para entrar em mais uma parceria foi um pulo!

Quando começou a rascunhar esse novo espetáculo, o TUI estava com poucos integrantes ativos, Cristiano Bittencourt e Marcele Nascimento, e super empolgado em embarcar em uma nova montagem. Felipe (Martinez, diretor), que já tinha expressado o desejo de trabalhar com os dois, comunicou ao Por Que Não? que dessa vez o grupo trabalharia nos bastidores (na criação de figurino, luz, som...), vasculhou entre inúmeros textos para teatro e achou  Quando as Máquinas Param.

Diretor e atores Foto: Eduardo Ramos

Quando as Máquinas Param é um texto de Plínio Marcos (1935-1999), que foi escrito em 1963. Curiosamente foi o texto que Felipe trabalhou quando estava no segundo semestre do Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Maria, em 2008.

Dividido em quadros, o texto conta a história de Zé e Nina, casados, que se veem em uma situação crítica: Zé está desempregado, o proprietário da casa onde eles alugam está pedindo a casa de volta, Nina descobre que está grávida e momento econômico do Brasil está em decadência. Ainda assim, Zé recebe uma proposta de emprego que lhe rende uma nova esperança. Porém, Zé percebe que não é tão simples assim: ele descobre que para arranjar um emprego terá que sujar as mãos - suborno, compra de vaga e corrupção. Atrelado ao fato de estar casado, Zé engole seco e não aceita a proposta, volta para casa desiludido. Chegando em casa, Zé se depara com a notícia da gravidez de Nina e decide convencê-la a não ter o filho. Devota aos santos, Nina não concorda e insiste em ter o filho. A trama termina com Zé agredindo Nina com um soco na barriga.

As obras de Plínio Marcos mostram que, não importa o que aconteça, os personagens são predestinados ao meio que vivem. Ou seja, se a pessoa surgiu em um ambiente hostil, por mais que ela tente reverter a situação, sempre haverão obstáculos que tornará essa atitude impossível. Essa é uma das características do movimento artístico Naturalista. Além disso, preferindo retratar personagens marginais, Plínio escancara a realidade da sociedade brasileira, com seus abismos sociais, preconceitos e indiferenças. 
“Não faço teatro para o povo, mas o faço em favor do povo. Faço teatro para incomodar os que estão sossegados. Só para isso faço teatro” - Plínio Marcos
Foto: Anderson Martins

Percebendo que o Brasil não teve uma mudança econômica intensa (o tal "milagre econômico" do início dos anos 70 não era para todos, diga-se de passagem!), Felipe viu que a economia do início dos anos 90 não estava muito distante da economia dos anos 60 e resolveu transpor a história de Plínio para esse período. 

Zé e Nina se tornaram Ezequiel e Joana e os quadros foram remexidos, ajustados, com trechos criados pelo diretor que deram uma renovada na obra de Plínio.

O primeiro obstáculo era atualizar o texto: as gírias que Plínio colocara no texto original já estavam em desuso nos anos 90. Palavras como batota, termos como "essa luz que me ilumina" eram muito marcados e de certo causaria estranheza para o novo público da primeira década dos anos 2000. Felipe se encarregou de pesquisar notícias, programas, propagandas que foram difundidas nos anos 90 e foi criando pontes para juntar o texto.

Isso influenciou diretamente na escolha de cenário, figurino e objetos cênicos. Como já foi comentado neste post aqui, o cenário foi pensado para retratar uma casa típica de uma família de renda baixa, com objetos típicos daquela década: quadros religiosos em molduras de plástico, vassoura de piaçava, bibelôs de gesso, frutas de plástico, toalhinhas com bordas de crochê... (quem foi criança nesse período dos anos 90, certo que vai identificar como a casa da tia, da vó ou da amiga da mãe...)

O cuidado era tanto que até o maço de cigarros de Ezequiel precisava passar para uma "atualização ao contrário".

O segundo obstáculo era deixar que trejeitos e reações cotidianas atuais, próprios dos atores, afetassem na montagem. Apesar do teatro realista exigir essa aproximação do real, muitas coisas que são abertamente discutidas e interpretadas com maior liberdade nos tempos atuais, anos 2000, na época de Ezequiel e Joana ainda eram tabus, como por exemplo o uso de drogas ou a relação do homem dentro de um casamento. Então, tanto o diretor quanto os atores, tinham que achar uma sintonia para que, mesmo que o espetáculo seja retratado nos anos 90, ele não seja estagnado e que ainda possua situações que são herdadas até hoje e que precisam ser discutidas.

Aí que está o foco do Amanhã Foi Outro Dia: mostrar para nós que por mais evoluídos que estamos, ainda assim patinamos em velhos valores e quando nos deparamos com uma situação extrema, quem pode nos dizer até onde vai o nosso senso de justiça, moral e bons costumes?

É um tapa na cara, pois saiu de um texto dos anos 60, passando por anos 90, chega aos anos 2000 e vimos que muito pouco mudou. O próprio Plínio diz: se meu teatro é necessário até os dias de hoje, significa que o mundo não evoluiu.

Foto: Anderson Martins

****SPOILER ALERT!**** 

(se você ainda não assistiu e não quer saber de spoilers, pare de ler aqui! Muito obrigada pela sua atenção e depois nos conte o que achou o espetáculo, ok?) 

Se você chegou até aqui, muito obrigada pela dedicação! O que tenho a falar a partir de agora é o que torna o espetáculo único.

No mesmo período que Felipe foi apresentado ao texto Quando as Máquinas Param, em 2008, ele assistiu o filme Irreversível (2003), de Gaspar Noé, e apesar de naquela época não ter o menor sentido fazer uma convergência entre essas duas obras, que até então eram apenas tarefas de faculdade, ele pode juntá-las 5 anos depois com o Amanhã  Foi Outro Dia.

Para quem ainda não conhece esse filme, conta a história de um homem (Marcus) em busca de descobrir quem foi a pessoa que agrediu e estuprou a namorada. Recomendo se tu tem estômago para assistir, pois ele é bem intenso. Mas o que chamou a atenção de Felipe não foi a história propriamente dita, mas como ela foi contada. O filme começa pelo final, ou seja, começa com Marcus encontrando o estuprador e acaba matando-o. Antes que tu pense "ai, aí já acabou com o filme", o fato de começar de trás para frente te induz a querer saber como o enredo chegou até ali. E era isso que Felipe buscava com o espetáculo.

Com Nina e Zé, de Plínio, o clímax (a notícia de gravidez, pedido de aborto e agressão) é apresentado no final da peça, você, como espectador, "entende" a linha de raciocínio de Zé, pois percorreu o texto todo até ali. Com Ezequiel e Joana, de Felipe, o clímax é apresentado logo no primeiro quadro, você, como espectador, se pergunta o que o fez agir daquela forma, assim, a sua linha de raciocínio é revertida.

Em miúdos: enquanto que na versão de Plínio pensamos em até que ponto essa história vai se desenrolar, na versão de Felipe pensamos em como a história chegou a esse ponto. Captou a diferença?!

Ficou interessado como isso foi feito, né não? Pois é, agora não vou falar meeeeeeeeeeeermo, tu terá que assistir (precisamos ganhar nosso pão de cada dia, né?). Anota aí, que esse espetáculo tá fazendo parte da programação do EM CARTAZ 2018.

AMANHÃ FOI OUTRO DIA no EM CARTAZ 2018
15 e 16 de junho de 2018 - 20h30
Espaço Cultural Victorio Faccin
Rua Duque de Caxias, 380 - Rosário
Ingressos: R$ 20,00 (geral) - R$ 15,00 (antecipado) e 
R$ 10,00 (estudantes e idosos)

E aí? O que achou desse processo? Comenta aqui embaixo pra tia e venha ver de pertinho o resultado!

Até a próxima!


Só de pensar que a minha única preocupação nos
anos 90 é saber o que tinha na nave da Xuxa...






terça-feira, junho 12, 2018

A palavra é...

MELODRAMA (me.lo.dra.ma.)

Cena do Exercício Cênico do texto melodramático "A Filha do Mar", da turma de Experimentação do nosso Curso de Teatro (2014)

Gênero dramático que floreceu nos séculos XVIII e XIX, embora ainda hoje exerça grande influência tanto no teatro, como no cinema e na televisão. Devido ao uso da música incidental para expressar as emoções dos personagens e situções, o termo passou a ser aplicado a um tipo de drama com forte apelo emocional. As principais características eram o sentimentalismo, o mistério, o suspense, o equívoco, a coincidência, o sofrimento imerecido e a acusação indevida. A linguagem era em prosa e de caráter popular, no sentido de ser facilmente compreendida. O objetivo primeiro era comover e impressionar o espectador, e, para tanto, o autor não media esforços, sacrificando a motivação plausível, a verossimilhança, caracterizando artificialmente as personagens e enfatizando os efeitos espetaculosos, bem como as virtudes do herói e os vícios do vilão, com o que reafirmava a qualidade didático-moralista e sentimental da obra. O Melodrama, hoje referido perjorativemente, não chegou a criar grandes obras literárias, mas inspirou e influenciou decisivamente o drama romântico. 

Lendo essa definição provavelmente lá no fundo da sua memória deve ter surgido algo que você já viu pelo menos uma vez na vida... Ainda não reparou? A tia vai ajudar. O Melodrama é composto pelos seguintes personagens: 

1) Mocinha: é um poço de virtudes e qualidades que passa a trama inteira sofrendo por ser incompreendida e muitas vezes é apresentada como órfã, abandonada pelo destino. Frequentemente é acusada por algo que não fez. Tem o final feliz, quando o seu passado é revelado e as acusações são infundadas. 

2) Vilão:  é totalmente o oposto da Mocinha, mau, venenoso, perigoso e sem escrúpulos. Deseja ser alguém na vida, sempre almejando riquezas e posses. O final dele ou é o arrependimento e a aceitação da penitência, ou é a morte iminente.

3) Herói ou o Mocinho: é o par da Mocinha e tão bondoso quanto ela. Tem princípios e valores inabaláveis, por ser tão bondoso, pode ser facilmente enganado, mas até o final da trama consegue enxergar as coisas com maior entendimento e triunfa sobre o mal.  

4) Grande Dama ou Velho Pai: começa tendo caraterísticas de Vilão, todo mundo acha que não presta, mas é apenas mal compreendido, passou por um momento na vida que amargurou o seu coração, mas quando a trama se desenrola percebe que o tempo inteiro estava enganado e pede perdão pelo que causou a mocinha. Normalmente é a mãe/pai que pensou que tinha perdido a filhinha.

5) Bobo: é o personagem que alivia a situação, traz um pouco de comédia para uma trama tão tensa. Com suas atrapalhadas ele pode ser o personagem-chave que pode desvendar o mistério e ajudar a desatar o nó da trama. 

E agora? Tá vindo algo na sua memória? 

Ai, Jesus! Vou dar mais uma dica e já era,  tá? Sempre que tem uma cena intensa, se ouve uma música específica, tipo TAN TAN TAANNNN... 


NOVELA, criatura! 

O Melodrama é o tatatatatatatatatatatatatatataravô das nossas novelas, e nem importa a nacionalidade (brasileira, mexicana, indiana, americana...) sempre segue o mesmo esquema: romance - mal-entendido - mocinha que come o pão que o diabo amassou - vilã (ou vilão) que saltita sobre a carniça - reviravolta - um segredo revelado - um parente perdido - uma conexão de eventos - decadência da vilania - aquela cena final de casamento onde tudo acabou bem e aquela explosão de bebês para nascer. 

Para não ser injusta, aqui no Brasil, no começo dos anos 2000, as novelas tem tido maiores elaborações e que saem um pouco desse esquema - quem não se lembra da novela A Favorita, que logo no começo mostrou quem era vilã e quem era a mocinha de verdade, ou com a Avenida Brasil, em que a vilania variava entre a Nina e Carminha? 

Mas mesmo assim, lá no fundo ainda pulsa o sangue Melodramático

Duvida? Pois então vou te dar um tema: escolha uma novela que marcou muito a sua vida e tente encaixar os personagens que comentei ali em cima e os fatos no esquema que eu disse. Você verá que grande parte das coisas vão coincidir. 

Vou esperar você me dizer o resultado aqui nos comentários, ok?


Fonte: Dicionário de Teatro, de Luiz Paulo Vasconcelos

quinta-feira, junho 07, 2018

Amores aqui e acolá

Olá pessoal!

Ontem, o Amores aos Montes aterrisou na cidade de Vera Cruz - RS para a participação da primeira edição da Viagem Literária, evento dedicado aos alunos da Educação Infantil até o Ensino Médio com foco na reflexão e debate sobre a literatura - tanto brasileira quanto mundial. São cinco dias de muitas atividades: contações de história, exposição de trabalhos, apresentações teatrais, palestras, concurso de oratória, venda de livros e teatro!



Na quarta-feira, dia 06 de junho espalhamos muito Amores para esse pessoal! Dá só uma olhada:




As fotinhos foram tiradas pelo celular, então pedimos desculpas pelas tremidas. Se você assistiu, tirou foto e ficou melhor do que essas (hehehehe), mande para gente pelo whatss (55) 99188-7135

E o Amores não vai parar essa semana. Domingão agora, perto do dia dos namorados, vamos nos amar lááááááá na Concha Acústica, no Parque Itaimbé, em Santa Maria????



Traga o seu chimarrão, seu mozão e venha assistir juntinho, anota aí:

AMORES AOS MONTES
10 de junho de 2018 - 16h
Concha Acústica - Pq. Itaimbé
Santa Maria - RS
GRATUITA 


Em caso de chuva (tomara que não, néam?), a apresentação será transferida para o dia 17 de junho de 2018. 

Contamos com a sua presença!

Até a próxima!

Não pensem que eu esqueci do
presentinho pra gravidinha... fico no aguardo!

terça-feira, junho 05, 2018

Curiosidades: O que não é animado, mas faz parte da cena!

Olá pessoal! 

Como vocês podem ver neste post, temos uma sessão no nosso blog onde falamos dos bastidores do nosso catálogo. Muita gente tem curiosidade em saber como um espetáculo é feito e você poderá navegar por aqui para ver como a gente fez com os nossos. 

No post de hoje falaremos de um item que não indespensável, mas é muito importante na criação do espetáculo. 

O que é o que é: Não é animado na maior parte do tempo, mas faz parte da cena?

Estamos falando do Cenário Teatral: aquele item que tem o objetivo de ambientar o espectador no enredo do espetáculo. Além de nos mostrar onde que a peça está sendo narrada, o cenário descreve a época em que a história se passa, cria a ilusão da construção de um novo espaço, modificando o palco cênico, oferece material e inspiração para os atores e consequentemente auxilia na construção de cenas. Enfim... pensem que para quem trabalha com teatro, a concepção de uma ideia de cenografia não é simplesmente montar um local, tem-se que pensar em toda simbologia, estrutura e viabilidade,  cada item que é acresentado tem importância, foi bem pensado para estar ali, tudo isso para  que o espetáculo seja feito de forma fluída e sem tropeços. 

Embananei a sua cabeça, não é? Mas vou falando dos nossos cenários e espero que eu consiga te desbananar... (amei essa palavra!)

Travessias
Cenografia: Cristiano Bittencourt


O espetáculo começa com apenas um carrinho de supermercado velho, cheio de quinquilharias, garrafas vazias, pneus, que indicam que os personagens não tem uma moradia fixa... Se der na telha de ir embora, é só botar tudo no carrinho e seguir caminho para o próximo lugar. Conforme o espetáculo se desenrola, a nova casa deles é construída, um colchão com uma colcha num canto vira o quarto, os pneus amontoados do outro lado da cena vira a poltrona da sala. Os personagens são crianças e toda a construção do cenário vai se fazendo através de brincadeiras. 

Além disso, a mudança dos objetos transforma o cenário, ora era a casa deles, ora era o tribunal de julgamento, ora era a rua: essa é mais uma das magias que o cenário poder promover, mudanças de ambientes em um mesmo palco, ressignificando os objetos que estão em cena. 

Todo cenário de Travessias foi resultado de muita sucata. Cristiano elaborou o cenário pensando justamente no universo de meninos e meninas que vivem nas ruas e que vão recolhendo o que veem nos lixões para formar seus próprios patrimônios. A única coisa que não é vinda dos lixões e que os meninos despendem o pouco dinheiro que ganham é para a compra das balinhas milagrosas.

Say Hello para o Futuro
Cenografia: Cristiano Bittencourt


Com a mesma ideia do Travessias, de mudanças de ambientes, o cenário do Say Hello é composto por módulos com as seguintes formas:  dois cubos, um prisma triangular e, na primeira versão, tinha um cilindro. Além deles, tem 2 biombos e o chão coberto por linóleo. Todos com rodinhas, exceto o linóleo. 
Má que caramba é linóleo?
É um tecido impermeável, resistente, que tem um aspecto plastificado. Pode ser emborrachado, fosco, ou vinílico, com brilho. Sabe aqueles pisos para apresentação de dança? Então, é aquilo.
A palavra de ordem do cenário do espetáculo Say Hello para o Futuro é  praticidade. Os módulos são ocos, onde os objetos cênicos são guardados e retirados para cada determinada cena. Como se trata de um espetáculo composto por cenas curtas, que necessariamente não tem ligação entre elas, a mudança de ambientes é feita de forma mais dinâmica, como se pulássemos de abas do nosso navegador da internet. 

Segundo Cristiano, a ideia do cenário vem da construção das placas de computadores, onde os componentes possuem essas formas geométricas básicas, como se fôssemos transportados para dentro de um computador. Como o chão dos palcos de teatro é feito com madeira, material que não tem nenhuma relação com a tecnologia plástica dos dias de hoje, optou-se por cobrir com linóleo para manter esse ambiente hi-tech. Não é um espetáculo realista, Say Hello permite construir um espaço que fica entre o que é real e o que é digital: além de todo cenário descrito, temos as projeções que enriquecem esse cenário. 

Amanhã Foi Outro Dia
Cenografia: Teatro Por Que Não? e Teatro Universitário Indenpente


Aqui chegamos no ponto oposto do Say Hello. Amanhã Foi Outro Dia é um espetáculo montado em um ambiente realista - ou seja, mais próximo da realidade possível. 
Realismo é um movimento artístico, onde tem o principal objetivo de retratar a realidade da vida, seja em pinturas, esculturas e até em peças teatrais. No teatro, o realismo veio com força com os trabalhos de Constantin Stanislavski (1863-1938). Segundo ele, o espetáculo era uma representação de uma fatia da vida. O seu empenho em transformar um espetáculo mais perto do real, incluindo na representação de atores, rendeu um método de atuação que é seguido até hoje nas escolas e faculdades de teatro. 
Voltando a programação, o cenário do Amanhã Foi Outro Dia é composto por uma estante, tábua de passar, mesa, cadeira, cômoda e tapete. A intenção aqui é nos transportar para uma casa de uma família de baixa renda. Apesar do espetáculo ser baseado em um texto dos anos 60, ele foi transportado para os anos 90, principalmente em uma época bem difícil aqui no Brasil. Estávamos sofrendo um retrocesso econômico muito grande, inflações altíssimas - herdeiras do período da ditadura, processo de impeachment do então presidente Fernando Collor, cortes de empregos e custos, confisco de poupanças, o que acarretou em falência de empresas e famílias. 

Agora imagina o trabalhão que foi para se pensar em um cenário que pudesse juntar todas essas informações??

A palavra de ordem da cenografia do Amanhã Foi Outro Dia é reaproveitamento.  O cenário é a junção de cenários de outras peças que já foram realizadas tanto pelo TUI, quanto pelo Por Que Não? A ideia é dar uma cara de que não são móveis novos, que foram adquiridos de segunda mão, visto que naquela época, para comprar algo novo, tinha que dar um rim praticamente. Então o cenário não possui um acabemento bem atraente, aproveitando a cor natural da madeira e os descascados de pinturas anteriores. Por mais que sejam pobres, Joana é costureira e preza pelo cuidado do lar, então há de encontrar toalhinhas, almofadinhas e bordados que deem um tapa no visú da casa. 

Além de retratar essa época, o cenário deste espetáculo tem uma função-chave, diferente das mudanças de ambientes dos espetáculos Say Hello e Travessias. O cenário foi criado para trazer a sensação de mudança de tempo. Como foi isso?? Ah, meu caro, não sou spoiler, terá que assistir.

Amores aos Montes
Cenografia: Cezar Gomes (Entalier) e Polin

Foto: Cezar Gomes

Quando começamos o processo do  espetáculo Amores aos Montes, tínhamos em mente que, por ser na rua, o espetáculo deveria chamar atenção e ser visível, mas ao mesmo tempo teria que ser prático, pois enfrentaríamos diversos tipos de solos (cimentados, gramados, terra batida, britas...).

Além disso, teríamos que fazer um cenário em que pudéssemos carregar todos os objetos necessários, não ser pesado, para não depender de um carro para ser puxado e que possa sustentar uma pessoa em cima.

Chamamos o Cézar para pensar na logística e aí surgiu o nosso amado Carrinho! Ele é composto por barras de ferro, rodas de plástico resistentes, pratileiras móveis de madeira, com espaços para pendurar e guardar instrumentos e painéis retráteis para indicar cada fatia do espetáculo.

Ele é multi-uso: é o nosso camarim, palco e o cenário. Camarim pois carregamos todos os nossos figurinos, instrumentos, água e objetos cênicos que utilizamos durante todo o espetáculo; Palco, pois utilizamos o teto do nosso carrinho para encenar (para quem assistiu, estou falando das cenas Terapia de Casal e Trogloditus Masculinus) e também é com ele que delimitamos o espaço de cena; Cenário pois interagimos com ele, virando a Love Machine na última cena do espetáculo, por exemplo.

Para deixá-lo mais chamativo, chamamos o Polin para dar uma cara mais urbana nos nossos painéis, que serviam para mostrar sobre qual "não amor" estávamos encenando. Em cada painel falamos o que o amor não é: 1- O amor não é a cereja do bolo, 2- O amor não é frase pronta, 3- O amor não é seu ponto fraco e 4- O amor não é moeda de troca. Optamos pelo grafite pois é a linguagem das ruas, é a identificação do lugar onde estamos.

O Carrinho é desmontável, justamente para que possa ser transportado para apresentações fora de Santa Maria. Com ele já fomos para Santa Cruz do Sul, Rosário do Sul, Novo Hamburgo, Porto Alegre, Nova Esperança do Sul, Vila Nova do Sul, Faxinal do Soturno, Dona Francisca, São Pedro do Sul, Nova Palma... ufa, má rodou esse Carrinho, né não? E iremos para mais uma cidade gaúcha, anota aí e venha conhecer nosso Carrinho:

AMORES AOS MONTES na Viagem Literária
06 de junho de 2018 - 19h
Comunidade Evangélica de Vera Cruz
Vera Cruz - RS
Ingresso: R$ 15,00 (geral) ou 
1kg de alimento não perecível 
(para pais e alunos)

Não vai estar em Vera Cruz? Não tem problema! Estaremos em Santa Maria logo depois:

AMORES AOS MONTES
10 de junho de 2018 - 16h
Concha Acústica - Pq. Itaimbé
Santa Maria - RS
GRATUITA 
(má se quiser trazer um mimo para a gravidinha aqui, 
aceito de braços abertos... rsrsrs)

E aí? O que achou desta postagem? Informação à beça, não é mesmo?! Comenta aqui embaixo e deixe uma tia feliz!

Contamos com a presença de vocês!

Até a próxima!

Só na espera dos meus presentinhos... Pode ser comida tb, tá?