Teatro Por Que Não?: A contínua troca

quinta-feira, abril 29, 2010

A contínua troca

Ditirambo - Foto: Talita Tibola
Iniciou no dia dez, depois para o dezessete, depois para o vinte e três, pra finalizar o vinte e quatro e, assim, o Teatro Por Que Não? viveu um mês de intensa atividade e de muitas energias vibrantes. Sem contar Ditirambo, Preta Café, Palco Fora do Eixo, e tudo o mais que tínhamos, temos e teremos. Foram dias corridos, onde nos preparávamos para trocar com nosso público o que temos de melhor e mais precioso, nossa arte. Convívio, cumplicidade e troca, se assim podemos resumir.

O Abajur Lilás - Foto: Marina Pinto
Primeiro, a tal da quebra do tal abajur lilás... Os risos, para que depois viesse o choque. As reações explícitas, muitas vezes de espanto, muitas vezes de nojo e muitas vezes de dor. A Dilma que se lava, a Célia que cospe dentro e o Giro que cospe na Célia. A Leninha que não quer saber das putas podres e o Osvaldo que acaba ferrando com tudo. Olhos inquietos que, mesmo sabendo que boa coisa não ia acontecer, esperavam ansiosos pra ver onde aquilo tudo ia dar. O público se torna cúmplice do que vê: a vida resumida a um abajur lilás.


 O Afogado Mais Bonito do Mundo - Foto: Francieli Rebelatto
E aí então, chegou o bobo grande, e chegavam 150 pessoas para vê-lo. Ele, o afogado Estevão, o mais bonito, o maior, mais forte, mais bem-dotado e mais tudo que se poderia prever. Entre baldes que refletiam os "jogos de luzes", afogávamo-nos nas lágrimas das mulheres e nos sentíamos pressionados por pisões de imposição dos homens. Nos respiros do bobo bonito, suspirávamos ao descobrir que as portas seriam mais altas e que as fachadas seriam pintadas pois, naquele momento, era ele quem estava nos pintando e nos levando a passear no seu barquinho de papel.

Gabriela, Cravo e Canela - Foto: Cláudia Schulz
Saindo do mar, chegamos na terra. E não é qualquer terra, é a terra seca, assolada pelo sertão, terra dos retirantes, dos caminhos, da caatinga, da fome, das cobras, das moléstias endêmicas e do cansaço. Entre os caminhos do amor e os caminhos evolutivos de uma sociedade, há um sapato que quer ser calçado em um pé que não consegue calçar coisa alguma. No embalo desses pés que criavam a dança, Gabriela, Cravo e Canela conseguiu colocar um "bloco na rua", fazendo o teatro se alastrar além do theatro. 

 Fim de Partida - Foto: Gerardo Martinez
Enfim, algum dia se chega ao fim, ao fim do jogo, ou ao fim da linha, ou ao fim do mês. Compartilhamos momentos da angústia humana, da não-existência, da tentativa infinita de acabar com tudo. Neste palco não há espaço para o confortável, pois as amarras que estes personagens tem uns aos outros e suas relações dependentes e doentias, não os permitem sequer ter o direito de cantar, de olhar pra sua parede, de contemplar um cão, ou talvez de receber um beijo. Era um palco, uma platéia e, entre eles, um punhado de poeira escura.


Ao longo desse mês, vivemos e teatramos em todos os momentos que poderíamos viver e teatrar. E se fizemos isso, foi graças ao nosso público, presente em nossos espetáculos e, desta forma, em nossas vidas. O Teatro Por Que Não? teve aproximadamente 500 espectadores neste mês de abril, e é por isso que continuaremos nos esforçando para que esse público se forme cada vez mais. O mês tem seu fim, a medida que o próximo continua, e que nós continuamos na próxima quarta-feira, no Macondo Lugar, com o espetáculo Fim de Partida.

Grupo Teatro Por Que Não? + Dani, era o fim do Fim de Partida - Foto: Gerardo Martinez

Para o momento, a todos que nos ajudaram, só temos a dizer: muito obrigado. Que venham os próximos Ditirambos, os próximos espetáculos, que o teatro saia cada vez mais do eixo. E que a troca aconteça cada vez mais pois esta é a melhor sensação. Merda à todos!

Um comentário:

  1. Do caralho Vocês, as Iniciativas, Os espetáculos, tudo.
    Abração!
    Merdaaaaaaa.


    Marco Antonio - NPT/Santa Víscera

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