sexta-feira, dezembro 31, 2010

Teatro (afinal) por que não?

Para mim e para mais sete estudantes do curso de artes cênicas da UFSM, dois mil e dez seria apenas mais um ano com seus trezentos e sessenta e cinco dias, duzentos deles letivos, ou seja, suados e vividos pelas salas e corredores do Centro de Artes e Letras, nosso querido CAL. Querendo mudar o trajeto do ano, e para não falar que o “destino quis assim”, ou que estava “escrito nas estrelas”, ou em pergaminhos e coisas do tipo, digo que nós escolhemos que este ano fosse um pouco diferente. E como é de praxe, a escolha traz um desenrolar. 

Neste desenrolar, nós, oito jovens autodenominados acadêmicos-teatreiros, resolvemos experimentar mais o lado teatreiro, porém, usando como caminho o material que é fruto do trabalho e empenho acadêmico: nossos espetáculos. Apaixonados pelo que fazíamos e curiosos por saber como o fazíamos, decidimos juntar nossas idéias, não para idealizar, pois isso já acontecia demasiadamente, mas sim para colocá-las em prática. 

Sem saber como começar, o começo nos foi concedido, pois sem querer (mas querendo muito), recebemos o conte para entramos num projeto com nosso espetáculo recém estreado O Abajur Lilás. Com apresentações marcadas, e querendo marcar muitas mais, pensamos: criar um grupo, fazer teatro, mostrar a cara, tentar, experimentar, fazer acontecer... Se temos cinco espetáculos em mãos, POR QUE NÃO? 

Ao percebermos tantos questionamentos aflorando, oficializamos um grande questionamento, e fomos (e somos) questionados a respeito dele. 

- Pergunta? 
- Indagação? 
- Filosofia? 
- Afirmação? 
- Provocação? 

Teatro, afinal, por que não? 


Não tentamos responder esta pergunta com palavras, mas estamos sempre tentando respondê-la través de nossas ações. Não matematicamente, já que existe uma receita para tal. Mas sim, intuitivamente, aos poucos, tentando ler as entrelinhas, e as “entrequestões”. O grande ponto de interrogação – que até desenhamos juntos num belo gramado verde de uma quarta-feira ensolarada – nos traz respostas diariamente. Trouxe-nos respostas que vieram em curtos passos, mas grandes aprendizados. 

E tudo veio devagar, e tão rápido ao mesmo tempo... Mas veio com a leveza da brisa que nos guiava, e quanto mais corremos atrás para que viesse, veio cada vez mais... Os curtos passos da grande resposta expadiram-se de Sul à Sudeste e estenderam-se do verão à primavera. Que assim continue! E vieram projetos, vieram divisões de trabalho, e reuniões, e encontros, e novas estréias, e novas divisões de trabalhos, e novos projetos, e assim vieram, e assim vamos. 

Buscando sempre nos fortificar, o que queríamos era acertar, e para isso, procuramos sempre uma forma nossa de fazer as coisas. Sim, inventamos nossos núcleos de trabalho, inventamos nossas regras internas, inventamos nossa forma de divulgação, e sabemos que podemos inventar o que quisermos, assim como já inventamos em cena. E o que nos deixa com muita vontade de inventar mais, é saber que sempre inventamos para alguém, que nos inspira, nos reinventa, nos transforma e que está conosco. 


A todos os parceiros que encontramos em dois mil e dez: muito obrigado. Aos nossos mestres, aos nossos amigos, aos teatreiros com os quais trocamos idéias, às nossas famílias que nos deram apoio, aos festivais que participamos, às cidades que nos acolheram, e, principalmente, ao público que alicerçou nosso caminho, vai um agradecimento imenso e de coração. E, por que não dizer, de oito corações?! Que os próximos trezentos e sessenta e cinco dias venham sempre mais teatrais, pois trabalharemos para que assim eles sejam. E que sobre cada teatreiro de todos os ventos e brisas, caiam as bênçãos dionisícas, com vinhos, uvas, celebrações e, por via das dúvidas... Que nunca falte a tão necessária e encorajadora amiga que nos acompanha: MERDA!

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Texto: Juliet Castaldello
Revisão: Luiza de Rossi e Felipe Martinez
Fotografias: Espetáculos - Carlos Donaduzzi, Cláudia Schulz, Francieli Rebelatto, Gerardo Martinez, Janaina Castaldello e Rafaela Martins; Demais Fotos: Arquivo do grupo.

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