quinta-feira, abril 29, 2010

A contínua troca

Ditirambo - Foto: Talita Tibola
Iniciou no dia dez, depois para o dezessete, depois para o vinte e três, pra finalizar o vinte e quatro e, assim, o Teatro Por Que Não? viveu um mês de intensa atividade e de muitas energias vibrantes. Sem contar Ditirambo, Preta Café, Palco Fora do Eixo, e tudo o mais que tínhamos, temos e teremos. Foram dias corridos, onde nos preparávamos para trocar com nosso público o que temos de melhor e mais precioso, nossa arte. Convívio, cumplicidade e troca, se assim podemos resumir.

O Abajur Lilás - Foto: Marina Pinto
Primeiro, a tal da quebra do tal abajur lilás... Os risos, para que depois viesse o choque. As reações explícitas, muitas vezes de espanto, muitas vezes de nojo e muitas vezes de dor. A Dilma que se lava, a Célia que cospe dentro e o Giro que cospe na Célia. A Leninha que não quer saber das putas podres e o Osvaldo que acaba ferrando com tudo. Olhos inquietos que, mesmo sabendo que boa coisa não ia acontecer, esperavam ansiosos pra ver onde aquilo tudo ia dar. O público se torna cúmplice do que vê: a vida resumida a um abajur lilás.


 O Afogado Mais Bonito do Mundo - Foto: Francieli Rebelatto
E aí então, chegou o bobo grande, e chegavam 150 pessoas para vê-lo. Ele, o afogado Estevão, o mais bonito, o maior, mais forte, mais bem-dotado e mais tudo que se poderia prever. Entre baldes que refletiam os "jogos de luzes", afogávamo-nos nas lágrimas das mulheres e nos sentíamos pressionados por pisões de imposição dos homens. Nos respiros do bobo bonito, suspirávamos ao descobrir que as portas seriam mais altas e que as fachadas seriam pintadas pois, naquele momento, era ele quem estava nos pintando e nos levando a passear no seu barquinho de papel.

Gabriela, Cravo e Canela - Foto: Cláudia Schulz
Saindo do mar, chegamos na terra. E não é qualquer terra, é a terra seca, assolada pelo sertão, terra dos retirantes, dos caminhos, da caatinga, da fome, das cobras, das moléstias endêmicas e do cansaço. Entre os caminhos do amor e os caminhos evolutivos de uma sociedade, há um sapato que quer ser calçado em um pé que não consegue calçar coisa alguma. No embalo desses pés que criavam a dança, Gabriela, Cravo e Canela conseguiu colocar um "bloco na rua", fazendo o teatro se alastrar além do theatro. 

 Fim de Partida - Foto: Gerardo Martinez
Enfim, algum dia se chega ao fim, ao fim do jogo, ou ao fim da linha, ou ao fim do mês. Compartilhamos momentos da angústia humana, da não-existência, da tentativa infinita de acabar com tudo. Neste palco não há espaço para o confortável, pois as amarras que estes personagens tem uns aos outros e suas relações dependentes e doentias, não os permitem sequer ter o direito de cantar, de olhar pra sua parede, de contemplar um cão, ou talvez de receber um beijo. Era um palco, uma platéia e, entre eles, um punhado de poeira escura.


Ao longo desse mês, vivemos e teatramos em todos os momentos que poderíamos viver e teatrar. E se fizemos isso, foi graças ao nosso público, presente em nossos espetáculos e, desta forma, em nossas vidas. O Teatro Por Que Não? teve aproximadamente 500 espectadores neste mês de abril, e é por isso que continuaremos nos esforçando para que esse público se forme cada vez mais. O mês tem seu fim, a medida que o próximo continua, e que nós continuamos na próxima quarta-feira, no Macondo Lugar, com o espetáculo Fim de Partida.

Grupo Teatro Por Que Não? + Dani, era o fim do Fim de Partida - Foto: Gerardo Martinez

Para o momento, a todos que nos ajudaram, só temos a dizer: muito obrigado. Que venham os próximos Ditirambos, os próximos espetáculos, que o teatro saia cada vez mais do eixo. E que a troca aconteça cada vez mais pois esta é a melhor sensação. Merda à todos!

quarta-feira, abril 28, 2010

Mais uma vez o fim

Fotos: Gerardo Martinez
Homens divorciados de suas raízes religiosas, metafísicas e transcedentais encontram-se perdidos, realizando ações sem sentido, absurdas e inúteis. O sentimento de absurdo que nasce de uma realidade onde a busca pela sua compreensão dá-se somente através do raciocínio lógico, privando o homem repentinamente de luz, de ilusões e da pureza dos ideais.
Assim transcorria pelo tempo o espetáculo Fim de Partida, direção de Luiza de Rossi sob o texto de Samuel Beckett, no sábado do dia 24. Os questionamentos sobre a condição humana, ou melhor dizendo, a condição desumana, ecoavam na cabeça do espectador, instaurando a atmosfera de pós-guerra criada não só pelo texto, mas também pela montagem. Aos meios passos de Clov, aos gritos estridentes de Hamm e aos lamentos moribundos de Nagg e Nell, o público sentia o gosto amargo daquele dia cinza e daquele punhado de poeira escura. O exílio daqueles personagens era irremediável, lhes restando a lembrança de um passado burguês e os resquícios da tentativa falha de compreender suas existências insignificantes através da racionalidade.

"O fim está no começo, e no entanto, continua-se". Desta maneira, ao tilintar da fala de Hamm em um de seus monólogos, vamos seguindo, tirando o pé ainda quente do palco para pisar no próximo, com a certeza de que faremos mais uma troca com nosso público. Em uma semana, voltaremos a viver estas relações, este dia-a-dia e também estes personagens, pois sim, quanto mais assistimos a este jogo, mais percebemos estas pessoas em nós. O fim continua-se na próxima quarta-feira, e em muitos dias mais.

sexta-feira, abril 23, 2010

Um dia claro e de sol primaveril

Apesar da paisagem chuvosa estar tomando conta da cidade de Santa Maria na última semana, hoje será contada uma história que iniciou em uma manhã clara e de sol primaveril, e o Teatro Por Que Não? espera todos para compartilharmos esta estória. Às 20:00h, no Ateliê da GARE da estação, acontece o espetáculo Gabriela, Cravo e Canela, monólogo da atriz Juliet Castaldelo, do Teatro Por Que Não?, baseado no romance homônimo de Jorge Amado. 


O espetáculo conta a história de amor entre o árabe Nacib, dono do bar mais famoso da cidade, e a cozinheira Gabriela, retirante que chega a Ilhéus fugindo da enorme seca que assolava o sertão nordestino. Com seus temperos picantes e sua sensualidade inocente, a cozinheira Gabriela conquista não só o coração de Nacib como também seduz muitos dos homens da cidade, colocando em cheque a férrea lei local, que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue. O espetáculo foi criado a partir de manifestações populares brasileiras, no intuito de mostrar a cara do nosso país. Instrumentos e voz também invadem a cena, embalando o espectador na dança sedutora de Gabriela, e na sua leveza do saber ser, sem querer sê-lo, e ainda assim sendo. Como o próprio autor diz: "uma flor de jardim, verdadeira, exalando perfume em meio a um bocado de flores de papel."


Essa apresentação acontece pelo Palco Fora do Eixo (mais informações acesse o blog do Palco aqui), buscando levar o teatro para fora do teatro, encontrando espaços alternativos para que nossa arte se manifeste. As entradas custam R$ 5,00 ou R$ 3,00 com um kg de alimento não-perecível, que vai para o projeto do Sesc, chamado Mesa Brasil.



Crédito Fotos: Francieli Rebelatto
O Teatro Por Que Não? continua no palco também no sábado, com o espetáculo Fim de Partida, dirigido pela Luiza de Rossi. Mas este convite caloroso e detalhado do espetáculo  faremos amanhã. Por hora, ficamos por aqui, com mais um link de divulgação do nosso trabalho no Diário de Santa Maria pra quem quiser conferir. 





Contaremos e contagiaremos com sua presença. Com muito gosto!
E bastante merda pra todos!

Teatro Por Que Não?

sexta-feira, abril 16, 2010

Um volume escuro e silencioso...

Amigos e teatreiros,

queremos convidá-los, com grande empolgação, para irem ao Theatro Treze de Maio nesse sábado, dia 17 de abril, para receberem um volume escuro e silencioso que vem do mar: um afogado. É o espetáculo O Afogado Mais Bonito do Mundo, monólogo do ator André Galarça, do Teatro, Por Que Não?, que conta a história de um povoado de lugar nenhum, descrito no conto homonimo fantástico realista do escritor Gabriel García Marquéz. O espetáculo localiza uma vila de pescadores, perdida em um lugar remoto. Depois de receberem o afogado, os homens buscam por informações nas redondezas, as mulheres o preparam para o sepultamento, ao mesmo tempo em que cuidam e fantasiam sua vida fora dali. Em cena, o ator André Galarça remonta a trajetória imaginada e sonhada pelas mulheres que o acolhem, bem como a atual condição daquele lugar. Por fim, o funeral mais esplêndido é preparado e “houve tantas flores e tanta gente, que mal se podia caminhar”.


 Fotos: Francieli Rebelatto



O espetáculo faz parte do projeto Treze, O Palco da Cultura, iniciativa do Theatro Treze Maio e viabilizado pela Lei de Incentivo a Cultura Municipal. A peça começa às 20:30h e tem 30min de duração. Os ingressos custam: R$ 10,00 - R$ 5,00 (estudantes e idosos) - R$ 7,00 (sócios do teatro). 

Acessem aqui também a matéria feita pela Silvia Medeiros, publicada no Diário de Santa Maria de hoje. 

Mais uma vez, contamos e contagiamos com a presença de todos.

Teatro, Por Que Não?


quarta-feira, abril 14, 2010

A festa do Palco Fora do Eixo

Amigos e teatreiros,

acontece hoje o segundo DITIRAMBO, a festa do Palco Fora do Eixo.

Está nas raízes do teatro a peregrinação festiva, entusiástica e exuberante pelas ruas das cidades, onde sátiros e faunos (atores travestidos) cantavam, dançavam e recitavam em homenagem aos deuses - principalmente Dionísio. O nome desta festa popular era Ditirambo, assim como o nome que o Macondo Coletivo escolheu para a sua celebração.
Nesta quarta-feira, os atores participantes do Palco Fora do Eixo (Movimento para divulgação, circulação e potencialização do fazer teatral de cias independentes de Santa Maria) repetem essas festividades para comemorar a apresentação do espetáculo “Gabriela Cravo e Canela”, do grupo Teatro, Por Que Não? monólogo da atriz Juliet Castaldello, dia 23/04, na Gare da Estação, às 20h.
A Ditirambo acontece nesta quarta, dia 14/04, começando com um cortejo que sairá do Macondo Lugar, às 21h, e irá em direção ao Zeppelin, onde a festa continua. A entrada no Zeppelin é R$ 4. 


Aqui vão algumas fotos do Primeiro Ditirambo, que aconteceu no dia 23 de março de 2010, onde uma trupe de artistas tomava conta das ruas da cidade de Santa Maria!


Sobre o Palco Fora do Eixo:


O Palco Fora do Eixo é uma iniciativa que surgiu a partir da necessidade de agregação e potencialização dos grupos teatrais independentes. Prezando primordialmente pela valorização das manifestações cênicas, o Palco Fora do Eixo possui o intuito de fomentar e estimular a capacidade criativa dos profissionais, além de iniciar um processo de interação entre diferentes linguagens que compõem o novo modo de criação artística contemporânea.
O projeto, em âmbito nacional, insere-se nas novas iniciativas do Circuito Fora do Eixo. Coletivos como Macondo (RS), Enxame (SP) e Colméia Cultural (SP) elaboraram uma programação intensa de atividades teatrais para serem desenvolvidas durante o ano. O objetivo principal deste três coletivos é promover, difundir e divulgar as manifestações cênicas de grupos teatrais independentes locais – desenvolvendo uma rede de produção teatral nacional, transformado-as em bens sociais indispensáveis na formação integral do indivíduo, e valorizando essas manifestações como geradoras de cultura e conhecimento
(Mais informações sobre o Palco e fonte da informação: www.palcoforadoeixo.blogspot.com)

Sem mais para o momento, contamos e contagiamos com sua presença!

Afinal, Por Que Não Cortejar?

terça-feira, abril 13, 2010

E que venha a próxima!

Olá amigos e teatreiros.

O Abajur Lilás foi apresentado novamente no último sábado, no Theatro Treze de Maio, e foi bem recepcionado pelo público. Vou postar algumas boas fotos que foram tiradas pelo Gerardo Martinez nesse dia. Agradecemos muito ao nosso público... E que venha a próxima!


Aí vão as fotos:

sexta-feira, abril 09, 2010

"A profissão sem glamour"

Amigos e teatreiros.

Para reforçar o convite, vou postar aqui a matéria chamada A profissão sem glamour, feita essa semana pela Tatiana Dutra, publicada no Diário de Santa Maria de hoje, sobre a apresentação no Theatro Treze de Maio, da peça O Abajur Lilás. Esperamos por vocês amanhã, as 20:30, com muitas boas energias. A foto é do Jean Pimentel e aqui vai a matéria:


A profissão sem glamour

Peça ‘O Abajur Lilás’ mostra o lado escuro e opressivo da prostituição

Não raro, as obras dramáticas para TV e cinema glamourizam a prostituição ou fazem com que público simpatize com as meretrizes e seu universo. A ignorante Bebel (Camila Pitanga) foi o personagem de maior sucesso da novela Paraíso Tropical, e até hoje há quem não entenda que Holly Golightly (Audrey Hepburn) era uma garota de programa em Bonequinha de Luxo (1961).

Mas não há espaço para simpatias na peça O Abajur Lilás, que será encenada amanhã, no Theatro Treze de Maio. A peça que Plínio Marcos escreveu (oito anos depois de Audrey Hepburn tomar seu café da manhã em frente à Tiffany’s) desperta sentimentos de ira, medo, desespero, pena e impotência. A incapacidade de agir é um sentimento que contamina o público a partir do palco. Os vetores são as personagens principais Dilma (Juliet Castaldello) e Célia (Aline Ribeiro), mulheres da vida que vivem no prostíbulo de Giro (Cauã Kubaski). Ambas se rebelam contra a exploração do cafetão, que avidamente lhe cobram grossas fatias do dinheiro obtido por meio do sexo. Porém, as reclamações das duas são rechaçadas a porradas.

Tortura – Inconformada com o tratamento, Célia quebra o abajur lilás de seu quarto. Uma prostituta novata, Lininha (Luiza de Rossi) assiste ao ataque de fúria e, mesmo pressionada pelo chefe, não conta quem é a autora do “crime” – já que dedurar colegas é algo inaceitável no código de honra das meretrizes. Porém, Osvaldo (Deivid Machado), o sádico leão-de-chácara de Giro, aproveita-se da situação: sem que ninguém veja, quebra o quarto inteiro e desperta a fúria do cafetão, que começa uma noite de torturas em busca de uma culpada. A noite se encaminha para uma tragédia.

Realizado pelo grupo Teatro Por Que Não?, de alunos do curso de Artes Cênicas da UFSM, Abajur Lilás tem um texto atual, apesar de remeter a 1969, época em que foi escrito.

– A peça foi escrita na época da ditadura e remete a essa situação de opressão, tortura e morte. Mas o Plínio Marcos dizia que escrevia peças para o tempo dele, se era atual hoje é porque o país não evoluiu – diz o diretor do espetáculo, Felipe Martinez.

A apresentação de amanhã faz parte do projeto Treze: o Palco da Cultura. O Teatro Por Que Não? ainda apresentará outros dois espetáculos dentro do mesmo projeto no Theatro: no dia 17, O Afogado Mais Bonito do Mundo, e no dia 24, Fim de Partida. Abajur Lilás, que está em sua sexta apresentação, já tem montagem marcada para outubro, no teatro Paulo Autran, da Faculdade Ítalo Brasileira, em São Paulo.

tatiana.dutra@diariosm.com.br
TATIANA PY DUTRA

EM RESUMO
- O quê: espetáculo teatral O Abajur Lilás
- Direção: Felipe Martinez
- Texto: Plínio Marcos
- Com: Aline Ribeiro, Cauã Kubaski, Deivid Machado Gomes, Juliet Castaldello e Luiza de Rossi
- Quando: amanhã, 20h30min, duração de 1h05min
- Classificação: indicado para maiores de 18 anos
- Onde: Theatro Treze de Maio (Praça Saldanha Marinho, s/nº, (55) 3028-0909)
- Quanto: R$ 10 (público geral), R$ 5 (estudantes e idosos) e R$ 7 (sócios do teatro)

segunda-feira, abril 05, 2010

Por que não no palco da cultura?

É com muita empolgação que convidamos a cidade de Santa Maria a iniciar as atividades teatrais do projeto Treze, o Palco da Cultura com o espetáculo O Abajur Lilás, direção de Felipe Martinez, realizado pelo Teatro, Por Que Não?. Este projeto tem iniciativa do próprio Theatro Treze de Maio e é viabilizado pela Lei de Incentivo a Cultura Municipal. São enviados projetos que contém propostas de apresentações de teatro, música e dança, e aos projetos selecionados são distribuídas datas para as apresentações, sem custo de locação e com repasse da bilheteria para o grupo ou proponente participante. Para saber mais sobre o projeto, acesse aqui o site do Theatro Treze de Maio.
O Teatro, Por Que Não? enviou três projetos e ambos foram aprovados. Sendo assim, no mês de abril, teremos três apresentações no Treze de Maio: O Abajur Lilás, O Afogado Mais Bonito do Mundo e Fim de Partida (confira mais no tópico quando e onde?). Então, estaremos lá neste sábado, às 20:30h, realizando a  sexta apresentação do espetáculo O Abajur Lilás, contado e contagiando com sua presença.

Ininterruptamente fazendo teatro

Na sexta feira e sábado passados o Teatro, Por Que Não?, juntamente com outros alunos e grupos da Universidade Federal de Santa Maria, participou da quarta edição do 27 horas ininterruptas de teatro, evento que aconteceu na cidade de Vale do Sol - RS pela segunda vez. O evento é realizado pela prefeitura da cidade e é coordenado por Rodrigo Ribeiro, que está presente desde as primeiras edições e que articula os grupos participantes. O evento iniciou no dia 26, às 19:00 e terminou no dia 27, às 22:00, e foi realizado, assim como nos outros anos, para comemorar o dia 27 de março, dia mundial do teatro.


Ritual de passagem para o dia mundial do teatro
Foto: http://27hteatro.blogspot.com


Oficina de Técnicas Circenses

Fotos: Felipe Siqueira Severo

Não ainda com este nome, havíamos participado do evento no ano anterior, que foi menor e menos agitado e que neste ano cresceu. Desta vez, apresentamos O Abajur Lilás e Fim de Partida. O evento contou também com o espetáculo B612, do grupo Ganju da cidade de Blumenau - SC, e também com o belíssimo O incrível ladrão de calcinhas, da TRIP Teatro de Animação de Rio do Sul - SC. Entre espetáculos, oficinas, palestras, debates, esquetes, dinâmicas, danças, intervenções, rituais, vivências e trocas de experiências passaram-se as 27 horas, com muita confraternização artística.

Abajur "liláseando" a madrugada
Foto: Marcos Faleiro Paiani

Teatro, Por Que Não? no palco com os espetáculos Fim de Partida e O Abajur Lilás
Fotos: Felipe Siqueira Severo


Espetáculo D-Krépta - Cia de teatro Abstração


Foto: Felipe Siqueira Severo



                   Espetáculo que encerrou o evento: O Incrível Ladrão de Calcinhas - TRIP Teatro de Animação
              http://www.tripteatro.com.br


Fotos: Júlia Zulke

sábado, abril 03, 2010

Gabriela, Cravo e Canela



Foto: Cláudia Schulz

SINOPSE
O espetáculo conta a história de amor entre o árabe Nacib, dono do bar mais famoso da cidade, e a cozinheira Gabriela, retirante que chega a Ilhéus fugindo da enorme seca que assolava o sertão nordestino. Com seus temperos picantes e sua sensualidade inocente, a cozinheira Gabriela conquista não só o coração de Nacib como também seduz muitos dos homens da cidade, colocando em cheque a férrea lei local, que exigia que a desonra do adultério feminino fosse lavada com sangue.


Foto: Cláudia Schulz

SOBRE A MONTAGEM
Em Gabriela, Cravo e Canela a atriz propõe a construção do espetáculo através de uma pesquisa acerca do povo nordestino, compondo o gestual de seus personagens, sua forma de falar e agir, bem como a paisagem de terra e de encantos que Jorge Amado nos convida: Ilhéus. Além disso, são postas em cena duas manifestações populares brasileiras buscadas pela atriz na elaboração do trabalho-solo: o Reisado e os Cantos de Trabalho, para que o espectador possa se sentir levado as terras das amêndoas de cacau, mas sem se desviar nos jagunços e coronéis no caminho.


Foto: Cláudia Schulz

FICHA TÉCNICA
Texto: Livremente inspirado na trajetória da personagem Gabriela, do romance homônimo de Jorge Amado
Direção e atuação: Juliet Castaldello
Orientação de atuação: Aline Castaman
Adaptação do texto: Juliet Castaldello e Aline Castaman
Iluminação: Vinícius Canto Blanco
Operação de luz: Luiza de Rossi
Trilha sonora e sonoplastia: Adriano Taques, Cezar Gomes e Evelíny Pedroso
Cenografia: Evelíny Pedroso
Figurinos e objetos cênicos: Aline Castaman, Evelíny Pedroso e Juliet Castaldello
Maquiagem: Aline Ribeiro
Realização: Teatro Por Que Não?

Foto: João Neves

INFORMAÇÕES TÉCNICAS
Público: 14 anos.
Duração: 55 minutos.
Equipe: 6 pessoas (atriz, 4 músicos e operador de luz).
Necessidades Físicas (mínimas): 7m de largura, 5m de profundidade, 3m de altura (altura da vara). Banheiro com espelho.
Necessidades Técnicas: Iluminação: adaptável à estrutura e equipamento do teatro a ser apresentado;
Tempo aproximado de montagem: 4h.
Tempo aproximado de desmontagem: 1h.

Foto: Francieli Rebelatto

CURRÍCULO DO ESPETÁCULO
Apresentações realizadas

2009
14 de dezembro - Duas apresentações na estreia do espetáculo, no Teatro Caixa Preta, em Santa Maria - RS

2010
23 de abril - Apresentação para o projeto Palco Fora do Eixo, no Ateliê da GARE da estação, em Santa Maria - RS

2011
14 de maio - Apresentação no 1º MOSAICO - Mostra Artística Independente do Catálogo Teatro Por Que Não?, realizado no Espaço Cultural Victório Faccin, em Santa Maria - RS

Foto: Francieli Rebelatto

UM SUCESSO DE PÚBLICO E UM PÚBLICO SATISFEITO
por Talita Tibola

Essa talvez seja a melhor descrição da segunda edição do Palco Fora do Eixo de Santa Maria, que contou com a apresentação do espetáculo Gabriela, cravo e canela do Grupo Teatro Por Que Não?, demonstrando que a discussão sobre a criação de um público de teatrorealizada pelo pessoal do Palco Fora do Eixo na semana passada no Caixa Preta, já vem dando seus frutos. 
Uma atriz desdobrando-se de forma natural e incansável em mais de cinco personagens, trilha sonora muito bem trabalhada para compor as cenas, assim como o cenário, que contava com a presença dos próprios músicos – entre eles a cantora que, mesmo quando imóvel, carregava uma grande força expressiva. Tudo isso numa montagem que segundo Gabriel, formado em Letras e estudante de Artes Cênicas, “…desarma o expectador que pretendia analisar a peça, convidando-o simplesmente a desfrutá-la.” Já seu amigo Malcon, estudante de pós-graduação em Engenharia Florestal, que é natural da região de Ilhéus – cidade onde se passa a trama – emocionou-se por sentir-se levado até suas terras através da encenação e elogiou o trabalho da atriz no que diz respeito ao regionalismo, segundo ele muito bem realizado através do gestual e principalmente do trabalho vocal. Esses são alguns dos elementos presentes na peça e que contribuíram para a sua boa aceitação por parte do público. Além de atestar a qualidade da peça teatral apresentada, a satisfação do público confirma que a proposta do Palco Fora do Eixo está tendo êxito. A aprovação se deve por criar “uma maior movimentação do teatro na cidade”, como fala Daiane, estudante de Artes Cênicas, “e de forma acessível”, conclui a estudante de Física, Luciana, ressaltando o baixo valor dos ingressos. Essa movimentação do teatro proporcionada pelo Palco Fora do Eixo mobiliza não somente as artes cênicas, mas também a cidade como um todo. Faz pulsar cultura nos próprios espaços desta e reativa-os, seja ocupando de maneira mais massiva os locais específicos para teatro seja criando uma nova possibilidade de aproveitar os locais que não cumprem comumente essa função, como é o caso do Ateliê da Estação, palco do espetáculo Gabriela, cravo e canela.

Fim de Partida


SINOPSE
Num universo profundamente hostil, degradado e submerso na enfermidade, encontram-se quatro seres corroídos pela escassez de recursos e pela espera da morte. Precisando suportar o peso das horas, Hamm (cego e paralítico), Nagg e Nell (mutilados) e Clov (manco), apegam-se a hábitos e jogos ensaiados, na busca de conferir sentido a existências cíclicas e insignificantes. 

Foto: Divulgação Teatro Por Que Não?


SOBRE A MONTAGEM
Uma tragicomédia absurda, escrita por Samuel Beckett no período Pós Segunda Guerra Mundial. O texto é livremente adaptado pelo Teatro Por Que Não?, buscando enfatizar a relação de amor e dependência entre Hamm e Clov, bem como, a questão evidente do desgaste e afunilamento das relações humanas. Em Fim de Partida os personagens revelam-se como homens que, divorciados de suas raízes religiosas, metafísicas e transcendentais, estão perdidos, o que torna suas ações sem sentido, absurdas, inúteis. Assim, o sentimento do absurdo nasce de uma realidade onde a busca pela sua compreensão dá-se somente através do racicínio lógico, privando o homem repentinamente de luz, de ilusões e da pureza dos ideais.

Foto: Pablo Canalles

FICHA TÉCNICA
Texto: Livremente inspirado no texto homônimo de Samuel Beckett
Direção: Luiza de Rossi
Elenco: André Galarça, Cauã Kubaski, Felipe Martinez e Rafaela Costa
Iluminação e operação de luz: Juliet Castaldello
Sonoplastia: Daniella Paez
Operação de som: Luiza de Rossi
Cenografia e Figurino: Teatro Por Que Não?
Maquiagem: Aline Ribeiro
Realização: Teatro Por Que Não?

Foto: Divulgação Teatro Por Que Não?

INFORMAÇÕES TÉNICAS
Público: 12 anos 
Duração: 80min 
Equipe: 7 pessoas (diretor , 4 atores, operador de som, operador de luz). 
Necessidades Físicas: 7m de largura, 5m de profundidade, 4m de pé direito. Além de teatros, o espetáculo pode ser apresentado em espaços alternativos (bunkers e/ou galpões). Banheiro com chuveiro quente e espelho. 
Necessidades Técnicas: Iluminação - (quando apresentado em teatro) 10 PC 1000w e 5 Elipsoidais 1000w; Sonorização - CD player com amplificadores adequados ao ambiente. 
Tempo aproximado de montagem: 3 horas 
Tempo aproximado de desmontagem: 1 hora

Foto: Pablo Canalles

CURRÍCULO DO ESPETÁCULO
Apresentações Realizadas

2009
23 de dezembro - Estreia do espetáculo no Centro de Artes e Letras da UFSM-RS.

2010
17 de março – Apresentação na "Semana da Calourada" do Curso de Artes Cênicas da UFSM, no Teatro Caixa Preta, em Santa Maria - RS.
27 de março - Apresentação no evento "27 Horas Ininterruptas de Teatro", em Vale do Sol - RS.
24 de abril - Apresentação pelo projeto "Treze: O Palco da Cultura", no Theatro Treze de Maio, em Santa Maria - RS.
05 de maio - Apresentação pelo projeto "Palco Fora do Eixo", no Macondo Lugar, em Santa Maria - RS.
19 de junho - Apresentação no 3º. FETISM – Festival de Teatro Independente de Santa Maria, no Espaço Cultural Victório Faccin, em Santa Maria - RS.
30 de julho e 1º de agosto - Duas apresentações pelo Programa de Extensão Teatro Fora do Eixo, no Espaço Cultural Victório Faccin, em Santa Maria - RS.

2011
7, 8 e 9 de abril - Três apresentações no Festival de Curitiba, no Centro Cultural Boqueirão, em Curitiba - PR .
04 de junho - Apresentação pelo 1º MOSAICO - Mostra Artística Independente do Teatro Por Que Não?, no Espaço Cultural Victório Faccin, em Santa Maria - RS.
08 de julho - Apresentação 12º Festival Internacional Rosário em Cena, em Rosário do Sul - RS.
21 de julho - Apresentação no III Festival Nacional de Teatro de Goiânia, em Goiânia - GO.

2012
19, 20, 21 e 22 de janeiro - 4 Apresentações na II Mostra Universitária do Espaço Elevador, em São Paulo  - SP.
12 de fevereiro - Apresentação no mês de aniversário de 2 anos do Teatro Por Que Não?, no Espaço Cultural Victório Faccin, em Santa Maria - RS.
16, 17, 18, 19, 21 e 23 de agosto - 5 apresentações pelo Circuito Universitário SESC - RS, nas cidades de Montenegro, Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul, Porto Alegre e Santa Maria.

Foto: Pablo Canalles

PREMIAÇÕES DO ESPETÁCULO

No 12º Rosário em Cena - Festival Internacional de Teatro de Rosário do Sul - RS
- Melhor figurino para o grupo.
- Melhor atriz coadjuvante para Rafaela Costa.
- Melhor ator coadjuvante para Cauã Kubaski.
- Melhor direção para Luiza de Rossi.
- Melhor espetáculo.
- Indicações para: melhor cenografia (o grupo), melhor maquiagem (Aline Ribeiro), melhor iluminação (Juliet Castaldello) e melhor ator (André Galarça).

No III Festival Nacional de Teatro de Goiânia
- Melhor maquiagem para Aline Ribeiro.
- Melhor ator coadjuvante para Cauã Kubaski.
- Indicações para: melhor cenografia (o grupo), melhor figurino (o grupo), melhor direção (Luiza de Rossi) e melhor espetáculo.

Foto: Pablo Canalles