Teatro Por Que Não?: Fim de Partida

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Fim de Partida



RELEASE DO ESPETÁCULO
Num universo profundamente hostil, degradado e submerso na enfermidade, encontram-se quatro seres corroídos pela escassez de recursos e pela espera da morte. Precisando suportar o peso das horas, Hamm (cego e paralítico), Nagg e Nell (mutilados) e Clov (manco), apegam-se a hábitos e jogos ensaiados, na busca de conferir sentido a existências cíclicas e insignificantes.

 


SOBRE A MONTAGEM
Uma tragicomédia absurda, escrita por Samuel Beckett no período Pós Segunda Guerra Mundial. O texto é livremente adaptado pelo Teatro Por Que Não?, buscando enfatizar a relação de amor e dependência entre Hamm e Clov, bem como, a questão evidente do desgaste e afunilamento das relações humanas.
Em "Fim de Partida" os personagens revelam-se como homens que, divorciados de suas raízes religiosas, metafísicas e transcendentais, estão perdidos, o que torna suas ações sem sentido, absurdas, inúteis. Assim, o sentimento do absurdo nasce de uma realidade onde a busca pela sua compreensão dá-se somente através do racicínio lógico, privando o homem repentinamente de luz, de ilusões e da pureza dos ideais.






 




FICHA TÉCNICA


Direção
Luiza de Rossi

Elenco
André Galarça
Cauã Kubaski
Felipe Martinez
Rafaela Costa

Iluminação
Juliet Castaldello

Sonoplastia
Daniella Paez

Cenografia e Figurino
Teatro Por Que Não?

Maquiagem
Aline Ribeiro







 INFORMAÇÕES TÉNICAS
Público: 16 anos
Duração: 80min
Equipe: 8 pessoas (diretor , 4 atores, operador de som, operador de luz, maquiadora).
Necessidades Físicas: 7m de largura, 5m de profundidade, 4m de pé direito. Além de teatros, o espetáculo pode ser apresentado em espaços alternativos (bunkers e/ou galpões). Banheiro com chuveiro e espelho.
Necessidades Técnicas: Iluminação - (quando apresentado em teatro) 10 PC 1000w e 5 Elipsoidais 1000w; Sonorização - CD player com amplificadores adequados ao ambiente.
Tempo aproximado de montagem: 3 horas
Tempo aproximado de desmontagem: 1 hora


CURRÍCULO DO ESPETÁCULO

Apresentações Realizadas

2009

23 de dezembro - Estréia no Centro de Artes e Letras da Universidade Federal de Santa Maria - RS.

2010

17 de março – Apresentação na "Semana da Calourada do Curso de Artes Cênicas" da UFSM, no Teatro Caixa Preta – Espaço Rosane Cardozo, em Santa Maria - RS.
27 de março - Apresentação no evento "27 Horas Ininterruptas de Teatro", em Vale do Sol - RS.24 de abril - Apresentação pelo projeto "Treze: O Palco da Cultura", no Theatro Treze de Maio, em Santa Maria - RS.
05 de maio - Apresentação pelo projeto "Palco Fora do Eixo", no Macondo Lugar, em Santa Maria - RS.
19 de junho - Apresentação no 3º. FETISM – Festival de Teatro Independente de Santa Maria, no Espaço Cultural Victório Faccin, em Santa Maria - RS.
30 de julho - Apresentação pelo Programa de Extensão Teatro Fora do Eixo, no Espaço Cultural Victório Faccin, em Santa Maria - RS.
1º de agosto - Apresentação pelo Programa de Extensão Teatro Fora do Eixo, no Espaço Cultural Victório Faccin, em Santa Maria - RS.



O FIM ESTÁ NO COMEÇO
por Igor Müller*, na cobertura colaborativa do Macondo Coletivo

…e, no entanto, continua…

Os espectadores que subiram ao segundo andar do Macondo Lugar na noite de quarta, dia 5 de maio, talvez não soubessem, mas estavam entrando em um mundo pós-apocalíptico. Ali encontrariam apenas quatro seres humanos. Ainda que mutilados, vivos à espera da morte. 

Entre o público e a cena, apenas uma parede imaginária. Acompanhavam-se em mais um dia de merda, igual à merda do dia anterior. Hamm, paralítico e cego, Clov, manco. O primeiro ordena, o segundo obedece. Completam a cena Nagg e Nell, mutilados dentro de tonéis de lixo, são pais de Hamm. O mundo lá fora, para eles, acabou. O sol é cinza, as ondas de chumbo e deserto circundam este abrigo. Eles acompanham o mundo exterior através de duas janelas no alto da parede.” Além da parede é outro inferno” sentencia Hamm.
O inferno é inerente à existência destas pessoas. Elas vivem a tortura de esperar o tempo passar. A agonia da espera pela morte. Assim é o de Fim de Partida do irlandês Samuel Beckett. Um teatro do absurdo. Em um contexto de pós Segunda Guerra, a peça mostra as cenas mais banais do nosso cotidiano. Mas elas tomam uma nova proporção quando repetidas à exaustão em um ambiente fechado. É como se assistíssemos uma teoria filosófica em ação, explica Juliet Castaldello, responsável pela iluminação.
Neste ambiente pesado e monótono somente a tragédia nos faz rir. – É esta a única válvula de escape. Eles são fracassados. Tentam se distrair, mesmo se odiando e não conseguem fazer nada, explica a diretora da peça Luiza de Rossi. O público confirma. Em algumas cenas, onde o cotidiano era desnudado no vazio daqueles personagens, a platéia ria. Mas aos poucos as risadas se calaram. A dor e o sofrimento eram visíveis na atuação de André Galarça (Hamm) e nas expressões de vazio existencial e tristeza de Cauã Kubaski (Clov). Eles fizeram o público emudecer. Os olhos atentos, a respiração pesada e a atenção focada na ação que se passava em frente aos seus olhos. Por um momento todos viveram a agonia da espera da morte.
Presos uns aos outros, os personagens vivem uma relação doentia de co-dependência. Apegam-se a um passado distante, a lembranças que não divertem mais, a piadas que já não fazem rir. E repetem. Repetem dia após dia as mesmas perguntas, as mesmas histórias. E sempre se defrontam com as mesmas frustrações, os mesmos medos, as mesmas angústias. Até a morte parece ter se esquecido deles.
Beckett, em seu texto, não traz explicação alguma. Diante do espectador há uma série de ações que tomam diferentes significados. O texto é subjetivo até mesmo para os atores do grupo Por Que Não? Esta foi a quinta vez que encenaram a peça. Cada apresentação ocorreu em um ambiente diferente. A última foi no Theatro Treze de Maio, ao clássico estilo de teatro italiano. No Macondo a apresentação teve maior proximidade com o público, numa adaptação de teatro de arena. Seja nas apresentações seja nos ensaios o texto é mais bem compreendido a cada vez, relatam os atores.
Se o desempenho dos atores tende a melhorar a cada apresentação, na sua quinta edição a peça foi mais do que bem sucedida. Cenário, luz, sonoplastia e maquiagem, além da esplêndida atuação dos atores fizeram o público aplaudir em pé. Aplausos mais do que merecidos.


*Igor Müller é jornalista em Santa Maria - RS. Follow him: @igor_muller

__________________

Vídeo que relata a participação no 3° FETISM - Festival de Teatro Independente de Santa Maria


______________
Créditos para as fotografias de:
Gerardo Martinez (1ª, 2ª, 5ª e 6ª)
Cláudia Shulz (3ª)
Carlos Donaduzzi (4ª)

Nenhum comentário:

Postar um comentário