Teatro Por Que Não?: Das peripécias do teatro independente

terça-feira, maio 31, 2011

Das peripécias do teatro independente

Inventa. Planeja, tenta prever. Corre atrás. Conversa, tenta, anda, conversa mais. Acerta. Planeja mais, inventa nome, justifica o nome. Atrás do espaço, atrás de patrocínios e atrás de parcerias: corre mais um pouco. Executa. Cria o material de divulgação, avalia, faz, refaz, corrige, orça, imprime, busca, traz, leva, vai e vem.

O Abajur Lilás no 1º MOSAICO, por Eduardo Ramos

Acerta, erra. Tenta acertar. Planeja divulgação, divulga. Corre atrás. Manda pra jornal, posta no blog, cola cartaz, distribui filipeta. E ensaia. Vai começar, é sexta-feira. Explica, fala, vende ingresso. Atrás de público: corre sempre. Será que vem? Será que não? Torce, vibra, faz figas. Leva cenário, contata transporte, revisa, monta. Pendura um refletor ali, depois daquela vara. Pindura os cartazes, coloca as fotos na moldura, executa a exposição, e coloca luz. Pendura roupas, contata músicos, faz projeção. E ensaia. 


Vamos chegar as 15h. Maquia, faz cabelo, e divulga, e vai colocar as placas, e vai comprar comida, e vai buscar os ingressos, pegou os folders? Trouxe o martelo? Viu onde tá o lápis preto? Pendurou as redes? Postou? Tá pronta a luz? Encheu o balde? Acende um incenso pra mim, faz favor? Descarregou as fotos? E a filmagem, tudo ok?


Aquece. Alonga. Canta. Pula. Deita. Rola. Olha. Olha novamente. Reconhece espaço, colegas de cena, público, músicos. Respira fundo, relaxa. Mas não demais. Abre as portas. Pode começar? Vai atrasar 10 porque tem gente chegando. Agora, vamos? Sim? Foi? Merda? Merda! Merda... 

Aquele que diz no 1º MOSAICO, por Fabrício Leão

E comunica. E troca. E aproveita, diverte-se, olha nos olhos, respira junto, e fundo. Ama o que faz, não dá pra não amar. Cria, recria, transforma, comunga com os que ali estão. Trabalha, e gosta. E faz, de verdade. E solta-se, e pinta, e invade. E vale, vale muito. E finaliza, e agradece, e debate. Dá pra não se sentir satisfeito? Dá pra não gostar da profissão? Dá pra não querer parar nunca mais?

Não, não dá. Das peripécias do teatro independente.

_______

Durante o desenrolar dessa semana, acompanhe-nos e saiba mais sobre a próxima peripécia, e também a última dessa colagem de peças: Fim de Partida.
_______

Texto: Juliet Castaldello

3 comentários:

  1. Parece que as dificuldades é que dão o sabor especial pra nossa arte. Qual seria a graça se conseguissemos tudo sem batalhar? Qualquer peça, seja ela comédia, drama, performance, não teria o mesmo valor se não fosse suada.

    ResponderExcluir
  2. Bela reflexão!!! Adorei, além de ser realista é divertida, vou repassar este link aos meus colegas de grupo. Sou de Montnegro, nesta semana esteve por aqui "Fando e Lis" de Santa Maria e fiquei sabendo junto ao Sesc que o TPQN virá tb no 2º semestre. Tomará que sim!
    Um grande abraço!
    Diego Ferreira - Grupo Válvula de Escape
    www.escapeteatro.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Muito suada, Nanda... e isso que é maravilhoso!

    E Diego...
    Se não for nesse circuito, acredito que em breve teremos a oportunidade de promover um encontro entre o TPQÑ? e o Válvula de Escape.
    Viva ao compartilhamento de horizontes e experiências teatrais!

    Abraço forte e Merda!

    ResponderExcluir