quinta-feira, julho 07, 2011

Na estrada

Depois da última apresentação de Fim de Partida, que aconteceu no 1º MOSAICO - Mostra Artística Independente do Catálogo Teatro Por Que Não? com casa lotada, o espetáculo parte amanhã para o 12º Rosário em Cena, na cidade de Rosário do Sul - RS. A apresentação, que faz parte da mostra competitiva do festival, acontece amanhã, às 9h30min, no Teatro João Pessoa, e a entrada custa R$3.

O espetáculo No Fio da Navalha, uma parceria entre Teatro Por Que Não? e a Companhia Retalhos de Teatro, também estará na programação do festival, participando da Sessão Maldita, que já foi visitada pelos dois grupos em anos anteriores. O espetáculo, livremente inspirado na obra Navalha na Carne, do autor Plínio Marcos, não é recomendável para maiores de 18 anos, e acontece também amanhã, às 23h, no Teatro João Pessoa, com ingressos a R$10.

Um pouco mais sobre os espetáculos:

Em meio a jogos ensaiados que resultam em relações pré-estabelecidas, mas nada previsíveis, enxergam-se figuras de Hamm, Nagg, Nell e Clov. Convivendo com suas deficiências e incapacidades, tais seres perdem-se e encontram-se na devassidão das horas, torturados pelos tic-tacs de um relógio, que talvez nem gire seus ponteiros. Passos que não andam, olhares que não enxergam, orgãos que não respondem mais. Em meio a isso, um pouco de humor e de descontração, impressos em brincadeiras corriqueiras que Clov e Hamm fazem, para que a sofreguidão se esvaia até o esquecimento. Um apito, um cão, uma bolacha e... A minha papa! Ou ainda... O meu caramelo! Assim transcorrem as desventuras dos personagens de Fim de Partida, espetáculo onde o palco é tomado pelo absurdo, a luz é tomada pela sombra, o cenário provoca um efeito de estética da inutilidade, e os homens são (ou não) preenchidos pela escassez de ideais.

Foto: Aline Ribeiro

No Fio da Navalha
O espetáculo No Fio da Navalha, texto adaptado da obra Navalha na Carne, do autor Plínio Marcos, convida o público a entrar no sórdido quarto da prostituta Neusa Sueli e seu amante e cafetão Vado, e presenciar o embate entre o casal que se desenrola ao longo da noite, representando não só a fúria e a degradação das personagens, como também a desumanização vivida pelo “submundo”. A discussão, que inicia-se por um dinheiro desaparecido, é aquecida pela entrada de uma terceira personagem: Veludo, o faxineiro da pensão. A violência física acentua-se até o momento em que é revelado o furto do dinheiro por Veludo, fazendo com que a partir de então a violência moral tome proporções absurdas. A desvalorização do ser humano, e principalmente da mulher, é escancarada em meio ao público até o momento de um desfecho irônico e cruel. A peça compartilha com a plateia apenas os acontecimentos de uma noite, mas revela ao espectador as figuras daqueles que vivem sempre no fio da navalha.

Foto: Jean Pimentel

Pois então, até amanhã, em Rosário do Sul!
Abraços e saudações à todos!

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