quarta-feira, setembro 07, 2011

(pausa dramática) - 7ª edição

Estar em processo criativo é reinventar-se. Esse é o mote e o desafio da leitura dramática proposta pela equipe do espetáculo Fando & Lis para o texto homônimo da obra de Fernando Arrabal. O espetáculo, que estreou em 2010, no Teatro Caixa Preta da Universidade Federal de Santa Maria, teve como fundamento para a pesquisa da linguagem da cena a busca pelos contrastes presentes no texto de Arrabal. 


Agora, o diretor Eduardo Colombo e os atores Anderson Martins, Geison Sommer, Ícaro Costa, Márcio Carvalho, Raiana Paludo, juntamente com Juliet Castaldello, responsável pela iluminação da peça, vêem na parceria com o Teatro Por Que Não? e o Boteco do Rosário uma bela oportunidade de lançar novos olhares para o texto com o qual vêm trabalhando. Seguindo esse desejo, elenco e diretor buscarão, no contexto da leitura dramática, priorizar elementos do texto que não são enfatizados no espetáculo. 

Espetáculo Fando e Lis - Direção: Eduardo Colombo
A (pausa dramática) do grupo é tratada, neste caso, como possibilidade de dar continuidade e aprofundamento à pesquisa que deu origem ao espetáculo, mas de maneira diferenciada, ou seja, através de um contato outro com o público, que não o da apresentação da peça. 

Espetáculo Fando e Lis - Direção: Eduardo Colombo
O grupo propõe, assim, uma auto-provocação e, ao mesmo tempo, traz, através do (pausa dramática), uma nova possibilidade de colocar o espectador santamariense em contato com um dos textos de teatro mais complexos e importantes do século XX. 

Sobre o autor
Nascido em 1932 em Melilla, Espanha, e criador de uma obra vasta da qual fazem parte romances, peças de teatro, livros de poemas e longa-metragens, Fernando Arrabal desde criança utilizou-se do teatro como um instrumento de expressão que o auxiliava a entender a si mesmo e a relacionar-se com o mundo. O dramaturgo teve uma infância bastante atribulada na qual o teatro servia, então, como um refúgio, um espaço de conexão com o mais profundo de si. Segundo o próprio Arrabal, sua escrita tem relação íntima com suas próprias vivências e, por isso, suas obras podem ser entendidas como o resultado de uma reelaboração de suas memórias. Seus textos preenchem-se de medos, sonhos, pesadelos, desejos e frustrações infantis e apresentam geralmente os mesmos temas, revelados através de personagens e enredos também similares, expondo a confusão do ser humano em sua relação com a existência. Arrabal abandonou a Espanha em 1954 e desde então vive na França. Na década de 60 fundou o movimento Pânico, junto de Alejandro Jodorowsky, cineasta chileno, e Roland Topor, pintor, escritor e ator francês, influenciado pelo dadaísmo e pelo surrealismo. É o autor espanhol mais encenado no mundo e um dos poucos artistas ainda vivos ligados ao contexto de surgimento do chamado Teatro do Absurdo. 

Sobre o texto 
Fando e Lis foi escrito em 1956, dois anos depois de Fernando Arrabal exilar-se na França, e é um dos primeiros textos teatrais do autor. A peça, que se desenrola em cinco quadros, expõe, através dos conflitos entre cinco personagens (Fando, Lis, Mitaro, Namur e Toso), o desespero e o absurdo do ser humano frente à vida, ao amor e à morte. O texto faz parte dos anos iniciais do movimento Pânico, época em que também foram escritos A Bicicleta do Condenado, O Triciclo e Piquenique no Front

Sinopse do texto
Abandonados em um mundo de desesperada e impossível comunicação, Fando carrega Lis, sua noiva paralítica, em busca da maravilhosa cidade de Tar. No caminho, e nos encontros e desencontros com os “homens de guarda-chuva” (Mitaro, Namur e Toso), as personagens debatem-se com as angústias e os pesares da existência humana.

O QUE?: (pausa dramática) - 7ª edição, com a leitura de Fando e Lis por Anderson Martins, Raiana Paludo, Geison Sommer, Márcio Carvalho, Ícaro Costa e Juliet Castaldello.
QUANDO?: Segunda-feira, dia 12 de setembro.
ONDE?: Boteco do Rosário (Rua do Rosário, nº 400).
QUE HORA?: 20h.
QUANTO?: De graça!

Aguardamos todos vocês lá, dando seguimento a esse evento que cada dia fica mais bonito!
Abraços à todos!

Texto: Eduardo Colombo
Fotos: Pablo Canalles
Arte do cartaz: Aline Ribeiro

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