Teatro Por Que Não?: Lembranças da margem

quarta-feira, junho 13, 2012

Lembranças da margem

O espetáculo A Terceira Margem do Rio teve sua estreia realizada na última semana, dia 18 de junho, no Espaço Cultural Victorio Faccin. O numeroso público adentrou a sala de espetáculo e lotou todos os assentos, mesmo com os dois graus negativos que gelaram Santa Maria na última sexta-feira. Em cena, Cauã Kubaski apresentava o espetáculo solo, resultado da sua pesquisa pessoal em interpretação teatral, realizada no curso de Artes Cênicas da UFSM.

Cauã Kubaski em A Terceira Margem do Rio - Foto: Janaina Castaldello

Em cena, o conto mais conhecido do mineiro João Guimarães Rosa, narrado em primeira pessoa e ambientado no sertão brasileiro. Assim também ambientado estava o espaço de cena, em tons marrons, com texturas secas, utilizando materiais como barro, palha e madeira, transpostos através da cenografia de Luiz Abegg. Pequenos e simples elementos que lembravam a casa, o altar dedicado a santa e o barranco que desembocava no rio eram os espaços convencionados pelo espetáculo.

Cauã Kubaski em A Terceira Margem do Rio - Foto: Janaina Castaldello

Em cena também, cinco atores do Teatro Por Que Não? em uma experiência inédita no grupo. Aline Ribeiro, Deivid Machado Gomes, Felipe Martinez, Luiza de Rossi e Rafaela Costa executavam a trilha sonora do espetáculo, tocando e arranjando músicas compostas por Darwin Corrêa. Violão que guiava o desenrolar dos sons, acompanhado de outros instrumentos musicais, e também de outros objetos cotidianos de diferentes sonoridades, que ambientaram as cenas de uma maneira intimista e sensível.

Cauã Kubaski em A Terceira Margem do Rio - Foto: Janaina Castaldello

No enredo, o filho que via o pai abandonar a casa para ir a canoa, ao rio, e não voltar mais. A história se passava durante toda a vida do narrador, que nos contava desde os detalhes da partida do pai até o quase reencontro. Cauã Kubaski desenvolveu seu trabalho de ator em cima de uma figura espiada, que parecia temer tudo que lhe acontecia, ou que fosse lhe acontecer. Também vimos um trabalho vocal construído a partir de um sotaque regional e de uma maneira coloquial de trazer ao espaço cênico a prosa poetizada de Guimarães Rosa.

Cauã Kubaski em A Terceira Margem do Rio - Foto: Janaina Castaldello

De tempos em tempos, o ator ia até as lembranças do narrador, nos contando as idas e voltas dessa história. As memórias do filho eram trazidas a cena como se estivessem novamente acontecendo, como se ele reencontrasse os lugares, as pessoas e as sensações. E como se reencontrasse consigo mesmo, olhando para si e procurando motivos para explicar a ausência do pai e a sua dependência por aquele lugar e por aquelas lembranças.

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