terça-feira, julho 18, 2017

Aconteceu no Espaço

Dona Firmina invadiu o palco!

Aqui no espaço rolou não uma, mas DUAS sessões do espetáculo La Vita è Vecchia, do povo do O Uivo do Coyote. Esse espetáculo fez parte da programação do EM CARTAZ 2017. Com um clima bem louco, foram noites bem gostosas regadas de muita risada e diversão. 

Quem veio fazer uma visitinha à Dona Firmina reparou na hora que ela lembra muito aquela vó que ajeita a casa antes de você chegar, que te dá comida antes mesmo de você sentir fome e sempre tem uma história ou receita milagrosa na manga. Bateu aquela saudade, mas daquelas saudade de boas lembranças daquelas cabecinhas cheinhas de cabelo branco... 

Assim que terminou o espetáculo, fui correndo conversar com a criadora da Dona Firmina, Luise Scherer. Quer ver como foi?! Olha só:

Luise Scherer
Atriz e Produtora Cultural (O Uivo do Coyote)


Desde quando tu trabalha na área teatral? 


Me formei no curso de Artes Cênicas aqui da UFSM em 2006 e desde então. A galera (a turma do Curso da UFSM) se formou e já se reuniu, o pessoal queria trabalhar junto e viemos trabalhando desde então. Tive um tempo morando fora de Santa Maria, morei um tempo em Florianópolis, morei em São Paulo e depois vim embora para Santa Maria. No fim, Santa Maria acaba sendo um lugar, como o pessoal se conhece, o pessoal conhece o meu trabalho também, fica mais fácil trabalhar aqui do que trabalhar num grande centro, por exemplo, porque no grande centro tem muita oportunidade, mas tem muita gente atrás das mesmas oportunidades e o mercado já tá “saturadão”, ele já tá todo estabelecido, então, qualquer mudança que tu queira fazer é muito mais difícil e em Santa Maria tem muitas possibilidades ainda, a gente pode construir o mercado ainda pra gente, então fez sentido para mim, voltar pra cá.


Como surgiu o espetáculo La Vita è Vecchia? Foi resultado de um trabalho na Universidade, ou foi construído depois? 

O espetáculo foi construído depois, ele estreou em 2014 e nós criamos a personagem Firmina no meu último ano de faculdade. Fazia parte do espetáculo “Água Quente, Erva e Cuia” que era direção do Régis D’Ávila, que é o mesmo diretor deste espetáculo. A gente criou a personagem Firmina e Floxina, que quem fazia era a Paula Laffayette, minha colega. Depois que a gente se formou, a gente resolveu retomar as personagens prum quadro humorístico do nosso show de humor, do Uivo do Coyote, e aí criamos o quadro “Falando de Sexo com Firmina e Floxina”, que era uma paródia do programa da Sue Johanson, que dava na tv a cabo, e dava dicas sobre sexo, mostrava os brinquedos e a gente achava genial que ela era uma senhora mais velha e falava sobre sexo super tranquilamente e a gente começou a pirar na história de que como seria ter duas velhinhas daqui, italianas, como elas falariam sobre sexo e aí a gente criou o quadro. Em 2014, depois de muito tempo trabalhando com ela, eu fiz uma provocação pro Régis da gente fazer um espetáculo, só com ela (Firmina), só que eu não queria que o espetáculo fosse igual ao quadro que ela já tem no show de humor durante uma hora. Não, eu quero buscar uma outra perspectiva dessa personagem. Daí a gente foi atrás de humanizar ela: “como ela é na casa dela?”, “qual é a história de vida dela?”, “como é que ela se sente?”, se ela é mulher, que texto iria cair nela por causa disso, porque ela viveu num momento que ser mulher era mais complicado, se ela é idosa, o que ela sofre... ela é sozinha, ou não é? Tem vida social, ou não? Assim a gente começou a criar todo esse background da Firmina que não tinha no show de humor porque ela era um tipo. Daí foi muito massa descobrir ela. 



Eu percebi que tu ficou muito feliz com a tua vó aqui (assistindo). A inspiração foi totalmente nela? 

A verdade foi assim: quando a Paula criou a Floxina, a velha dela, aí eu criei a Firmina só para acompanhar a velha dela. Eu achava que eu não tinha referência de nenhum lugar, não sabia de onde eu tirava, só que aos poucos, com o tempo que eu ia trabalhando, fui percebendo que eu tirava a Firmina de várias pessoas diferentes e mesmo as pessoas que não eram tão velhas ou mesmo pessoas que não eram de origem italiana. Fui fazendo o mosaico de várias pessoas, só que cada vez mais eu fui identificando o resultado desse mosaico – eu tô convivendo muito com a minha vó agora, que ela tá morando com a minha mãe – comecei a enxergar que a Firmina e ela são muito parecidas. Não fiz, pelo menos não conscientemente, inspirado nela, mas de alguma forma eu fui chegando muito próximo do que ela é. Eu acho isso muito louco, sabe? Às vezes eu tô lá na casa da mãe e vejo a vó sentada, fazendo crochê e eu olho e digo “Meu Deus do Céu...”, sabe? Tinha uma identificação, uma referência que tava tão inconsciente que eu não tinha percebido. 


Eu sempre faço a pergunta do que tu acha do quadro cultural de Santa Maria na atualidade, tu meio que já falou no meio do caminho... tem alguma coisa que tu queira acrescentar? 

Acho que a gente ficou muito tempo trabalhando com oportunidades, vindas do poder público, de esfera federal, principalmente, e agora tá complicado porque a gente não tem mais isso. Então a gente vai ter que se unir, aproveitando aqui pra fazer um convite pro pessoal, da gente se unir e tentar pensar alternativas que venham da gente mesmo, inciativa privada, sabe? Em momentos de crise, a cultura sempre fica em segundo, terceiro plano e a gente tem que, juntos, pensar uma forma de superar isso aí. Queria fazer um convite para os colegas pra, de repente, se encontrar e pensar uma forma de não deixar a cena morrer, porque Santa Maria já esteve muito pior e depois teve um momento de explosão de grupos e atividades e vocês mesmos surgiram com tanta força e se mantem ainda e agora me parece que a gente começa a perder o fôlego. É complicado com tudo isso que tá acontecendo, então a gente tem que juntar talvez a gente descobre uma forma de não “se entregar pros homi”, entendeu?


Entendi! 

Muito obrigada, Luise, pela disponibilidade!!!

Não conseguiu vir nesse último findi? Não se preocupe, temos programação EM CARTAZ 2017 pra mais de metro. 


Até a próxima!

Arrasa, vovós!




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